Você enxerga bem de perto, mas o mundo ao longe fica completamente desfocado — e seu grau já passou de -6,00 dioptrias? Isso caracteriza a alta miopia, uma condição que vai além do simples incômodo visual e representa um risco real para a saúde dos seus olhos a longo prazo.
No Hospital de Olhos MS (HOMS), em Campo Grande, atendemos regularmente pacientes com alta miopia de todo o Mato Grosso do Sul. Neste artigo, o Dr. Antonio Eduardo Pereira — oftalmologista especialista em retina e cirurgia refrativa — explica tudo que você precisa saber: o que diferencia a alta miopia de uma miopia comum, quais são os riscos, e quais tratamentos estão disponíveis hoje.
O Que É Alta Miopia?
A miopia ocorre quando o olho tem comprimento axial maior do que o necessário, fazendo com que a imagem se forme à frente da retina, e não sobre ela. Na alta miopia, esse alongamento é mais pronunciado — o olho “cresce demais” durante o desenvolvimento, geralmente até os 25 anos.
Classificamos como alta miopia quando o grau supera -6,00 dioptrias. Graus acima de -10,00 são chamados de miopia magna ou miopia patológica, e exigem acompanhamento ainda mais rigoroso.
Alta Miopia × Miopia Comum: Qual a Diferença Real?
Uma miopia de -2,00 ou -3,00 é, na grande maioria dos casos, apenas um erro refrativo — corrige-se com óculos ou lentes de contato e não traz riscos adicionais para a saúde ocular.
A alta miopia é diferente. O alongamento excessivo do globo ocular estica e afina as estruturas internas do olho — em particular a retina e a coroide. Isso não é apenas um problema óptico: é uma alteração anatômica que predispõe a complicações graves.
Quais São os Riscos da Alta Miopia?
Este é o ponto mais importante do artigo. Pacientes com alta miopia têm risco aumentado de:
Descolamento de retina: A retina esticada pode rasgar ou se desprender, causando perda visual severa e permanente. O risco ao longo da vida é significativamente maior do que na população geral.
Degeneração macular miópica: A mácula — região central da retina responsável pela visão nítida — pode sofrer alterações degenerativas, incluindo atrofia e neovascularização coroideana.
Catarata precoce: Pacientes com alta miopia desenvolvem catarata em média 10 a 15 anos antes do que a população geral.
Glaucoma: Há associação entre alta miopia e maior suscetibilidade ao glaucoma, tanto por características da pressão quanto da anatomia do nervo óptico.
Buraco macular: Complicação mais prevalente em altamente míopes, que pode comprometer gravemente a visão central.
Por isso, o acompanhamento regular com oftalmologista especializado em retina é essencial para qualquer pessoa com alta miopia — independentemente de optar ou não por cirurgia.
Quais São as Opções de Cirurgia Refrativa para Alta Miopia?
LASIK e PRK — o laser tem limite
O LASIK e o PRK funcionam remodelando a córnea com laser excimer. São excelentes para miopias leves a moderadas, mas têm uma limitação: a quantidade de tecido corneano que pode ser removida com segurança. Na prática, o laser refrativo é seguro até aproximadamente -7,00, desde que a córnea tenha espessura e topografia adequadas. Para graus maiores, o LASIK muitas vezes não é a melhor opção — ou não é tecnicamente viável.
ICL — lente implantável: a principal alternativa para altos graus
A ICL (Implantable Collamer Lens), também chamada de lente fácica, é a alternativa mais indicada para pacientes com alta miopia que não são candidatos ao laser. O procedimento consiste em implantar uma lente ultrafina dentro do olho, entre a íris e o cristalino natural, sem remover nenhuma estrutura ocular.
Vantagens da ICL para alta miopia:
- Corrige graus de miopia de até -18,00 dioptrias, além de astigmatismo associado
- Não enfraquece a córnea — nenhum tecido é removido
- Qualidade visual superior, com alta nitidez e contraste, especialmente em baixa luminosidade
- Reversível: a lente pode ser explantada se necessário
- Recuperação visual rápida, frequentemente em 24 a 48 horas
Catarata com lente premium em altamente míopes acima de 55 anos
Para pacientes com alta miopia que já apresentam início de catarata — o que ocorre mais cedo nessa população — a cirurgia de catarata com lente intraocular premium (multifocal ou EDOF) pode ser a melhor estratégia: trata a catarata e corrige o grau simultaneamente.
Como É Feita a Avaliação no HOMS?
A avaliação para cirurgia refrativa em pacientes com alta miopia no Hospital de Olhos MS inclui refração com e sem dilatação pupilar, topografia e tomografia de córnea, biometria óptica, medida da câmara anterior e contagem de células endoteliais (para candidatos à ICL) e mapeamento de retina com pupila dilatada — fundamental para identificar lesões pré-operatórias.
Essa avaliação determina qual é a melhor opção cirúrgica — ou se a cirurgia está indicada — para cada paciente individualmente.
Perguntas Frequentes
Quem tem alta miopia pode fazer LASIK? Depende da espessura e topografia da córnea. Em muitos casos de alta miopia, a ICL é mais segura e eficaz. A avaliação pré-operatória define a conduta.
A cirurgia refrativa elimina o risco de descolamento de retina? Não. A cirurgia corrige o grau óptico, mas o olho continua com a mesma anatomia alongada. O acompanhamento da retina deve ser mantido mesmo após a cirurgia.
A ICL é permanente? Sim, mas é reversível. A lente pode ser explantada ou trocada se necessário.
Agende sua avaliação no HOMS: (67) 3324-4000 ou pelo WhatsApp. Atendemos de segunda a sexta das 7h30 às 18h30 e aos sábados das 7h30 às 11h30.
